Sistema Único de Saúde: o que a Psicologia tem a ver com isso?

Primeiramente….

No dia 19 de setembro deste ano, a Lei Orgânica da Saúde 8.080/90 completou 26 anos. Para quem não sabe, essa é a lei que “dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes”, ou seja, traz os pontos que compõem o nosso SUS.

Partindo do ponto que os serviços prestados pelo sistema são gratuitos e é um direito de todos e dever do Estado e uma construção social, a Psicologia que iniciou suas práticas com um viés elitista, baseadas em atendimentos individuais nos consultórios não tem nada a ver com isso, certo?

Errado! Pra começar todos nós como usuários do SUS temos o dever de sustentá-lo enquanto conquista social e ir contra o seu desmonte. Em segundo lugar, se pegarmos alguns princípios da Lei 8.080 encontraremos pontos em comum com as práticas psicológicas:

  1. A prática da Psicologia que leva em consideração o sujeito em sua integralidade, e de que a construção da subjetividade se dá num plano coletivo. Tem algo mais coletivo que o SUS? É impossível separar singular, político e social, mesmo dentro de nossas caixinhas.
  2. Principio da autonomia e da co-responsabilidade – no código de ética do psicólogo coloca-se que “o psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades”, o que coloca a categoria em seu lugar de responsabilidade de co-autora nas transformações politicas-sociais, trabalhando para a produção de protagonistas e sujeitos autônomos em suas vidas.
  3. E por último o principio da transversalidade (que pra mim é o mais lindo ) que refere-se ao trabalho entre as disciplinas sobre um mesmo objeto de estudo. A interdisciplinaridade se faz necessária, uma vez que, cada área não dá conta de explicar por completo (isso é possível?) as coisas do mundo de forma individualizada, o que nos leva ao trabalho em conjunto e nos permite conhecer outras formas de ver os fenômenos.

Estes são alguns dos pontos que podemos ligar a Psicologia ao SUS. Porém, é preciso entender que antes de sermos profissionais, devemos ser defensores enquanto usuários do nosso Sistema  que foi resultado de lutas, e que atualmente sofre ameaças de retrocesso.

 

 

SUS.png

Referências

BENEVIDES, R. A psicologia e o sistema único de saúde: quais interfaces?. Revista Psicologia & Sociedade, Niterói, vol. 17, n. 2, p. 21-25, mai – ago. 2015. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/psoc/v17n2/27040&gt;. Acesso em 22 de setembro de 2016.

Ver mais em:

http://site.cfp.org.br/representantes-do-cfp-integram-atividades-da-15a-conferencia-nacional-de-saude/

https://www.abrasco.org.br/site/tag/frente-abrasus/

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